domingo, 28 de fevereiro de 2016

O homem do sonho e o homem da vida real.

Acabei de sonhar em que um homem que eu esperava de repente aparecia, descia as escadas e viesse ao meu encontro. Nesse sonho eu pude conversar com o homem que ele adorava, ele não se aborrecia; eu falava as coisas pra ele e ele gostava. Depois ele ia embora feliz por me encontrar, e eu mais feliz ainda, esperando o próximo encontro que seria maravilhoso.

No sonho é possível se aproximar dos homens sem que eles fujam, e muito fácio tudo dar certo. Mas na vida real, o homem ficaria irritado em me ver, tentaria terminar a conversa o mais breve possível e iria embora a passos largos, com raiva daquela "machuda" lhe "encher o saco". Como assim "encher o saco"? Pros homens, não importa como é a pessoa, mesmo que ela seja uma pessoa maravilhosa: se for um transexual feminino pro masculino (Homem Trans), ele já a corta da sua lista de convívio social, porque pessoas trans são consideradas "aberrações" sociais, indignas de convívio social, e quem estar junto com elas se torna igualmente "aberração".

No sonho os homens são mais receptivos, vêem as diferenças como o colorido do mundo e eu não preciso estar analisando o que eu vou dizer por dez vezes pra finalmente ter coragem de falar. E isso não é só coisa minha: qualquer pessoa sonha em ter uma vida social feliz. Mas só comigo os homens são incrivelmente hostis, se aborrecem com minha simples presença e por qualquer coisa que eu diga, e tratam minha transexualidade como uma doença de pele contagiosa. Parece que o simples fato de perceberem que sou transexual os fazem me odiar, da mesma forma que um racista odeia o negro só de ver que a pessoa é negra.

De que outra forma se explica o eterno desprezo dos homens, de eu estar próximo dos 30 anos sem nunca ter namorado? Não foi falta de gentileza, nem aparência física, pois meu sorriso é lindo e as lésbicas são loucas por mim. Só dos homens eu sinto esse ódio contra mim vindo do nada, sem motivo nenhum.

Eu fico imaginando qual a dificuldade de um homem ser receptivo. Não sei se é só os manauaras que são escrotos assim, ou se o homem brasileiro é normalmente assim, chato e desumano, e eu acabei criando a imagem de um marido que simplesmente não existe. E se sim, não foi só eu que criei uma imagem de homem brasileiro que não existe: novelas e filmes brasileiros também retratam homens que, na vida real aqui em Manaus, nunca existiram ou existiriam.

Nos sonhos parece tudo tão fácio conseguir encontrar e viver o amor de sua vida, mas quando chegamos à vida real, uma série de regras idiotas são impostas pra que se possa ter direito a um marido, como a de ser feminina (e bastante feminina) e se vestir de acordo com o sexo genital. Os homens também impõem para si mesmos regras inúteis, como a de ter status social de "macho-alfa", e deixar de lado o amor e a afetividade.

E daí pergunto qual é a necessidade disso tudo, pra quê regras inúteis que só impedem a afetividade de uns com os outros? Mas as pessoas não pensam, aceitam sem questionar porque "se é assim, logo deve ser assim". Ou os homens odeiam afetividade, sendo pessoas sem sentimento. Mas daí quem não tem sentimento é psicopata, e os homens ficam nervosos caso falemos isso.

Nos sonhos consigo viver o que a vida real não permite, daí é perigoso porque há a tentação de se refugiar nos sonhos, enquanto na vida real os problemas continuam e não serão solucionados do nada, e o tempo continua passando e eu envelhecendo sem amor. Mas como resolver, se os homens não querem? Parece que vivo numa prisão, e aonde eu olho e procuro, não há saída.

"Ele de repente vem, como quem muito esperou seu amado chegar e de repente ele consegue o que tanto deseja; e meu coração se encheu de vida, ao presenciar o sonho tornar-se realidade."

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Ainda não saímos de 2012. Muito menos de 2004 ou 1999.

4 anos depois de 2012, sofro mais uma rejeição amorosa, e sinto como estivesse de volta em 2012. E tem mais: a rejeição foi muito semelhante, quase idêntico, a uma que eu já passei mas que eu não tinha segundas intenções. A impressão é que eu vivo no passado, e esse passado nunca acaba.

Aliás, parece que a sociedade brasileira vive no passado, gosta e faz questão de viver no passado. A sociedade já mostra isso politicamente, quando vemos que a sociedade continua tão conservadora quanto há 25 anos atrás, que coisas como ameaça comunista, alienações dos anos 60 voltam a ser ressuscitados de 2013 à 2015. Imbecilidades desse tipo teimam em permanecer vivas, assim como a transfobia, a homofobia e o machismo.

Se em 1999 eu acreditava que era fácio demais um estupro acontecer à luz do dia, bastou hoje ter a liberdade de passear nas ruas à noite para que os homens que morrem de ódio de vagina se unissem na Internet pra fazer propaganda pela legalização do estupro, e até um deles tivesse coragem o suficiente pra gravar um vídeo ensinando homens a conseguirem estuprar.

Em 1999 eu já sabia que os homens odeiam quem tem vagina (mulheres cis e homens trans). De lá pra cá já se passaram 17 anos e os homens continuam a resmungar de um "mundo vaginante". Homens ditos heteros só se casam com as mulheres porque a regra social cobra, pra que tal homem prove ser "macho-alfa". E quando se casam, é só com mulheres femininas. Homens trans nem com nojo.

Curiosamente há a impressão de homossexuais afeminados a se assumir nas ruas manauaras aumentar. Tipo como se o narcisismo já estivesse tão alto ao ponto de fazer homossexuais afeminados se assumirem mais rápido, pra não terem que passar pela obrigação de se casar com uma odiada vagina pra terem que provar "masculinidade-alfa" ou "heterosexualidade".

O mesmo  bulliyng transfóbico que pessoas trans ouvem na rua hoje ("É homem ou é mulher?") já era ouvido nos anos 90, e também foram ouvidas de 2000 à 2010. O bulliyng homofóbico e transfóbico já existia nas escolas manauaras em 2000. Passou-se os anos e a homofobia e transfobia permaneceram. Mesmo quando decidi voltar a tentar completar os estudos, em 2010 ainda sofri transfobia. Em 2000 me tachavam de doida por não ter nenhum comportamento feminino. Em 2004 vieram as cobranças de feminidade pra poder namorar: passou-se 8 anos e em pleno 2012 um homem me joga na cara que nunca ficaria comigo por eu não ser feminina.

Daí tudo continua igual ao passado, incrivelmente intacto. A sociedade envelhece e os homens continuam iguais. Eu envelheço e vejo os homens de 2016 serem exatamente iguais aos de 2012, que eram exatamente iguais aos de 2007, que também eram exatamente iguais aos de 2004 e este também eram iguais aos de 1999! É como se vivêssemos em uma loop do tempo, aonde não só o tempo seria o mesmo, as pessoas também seriam as mesmas com o passar dos anos, e as gerações também iguais umas às outras. É como se os homens fossem pokémons que se recusam a evoluir, e meras cópias uns dos outros.

E parece que nenhum homem se cansa disso, ou que os que se cansam resolvem se assumir homossexuais e partem pra se assumirem também afeminados, gerando um inchaço de homossexuais afeminados que provavelmente irão querer homossexuais machões, e não irão ter. E no meio disso ninguém se assume bissexual nem transafetivo, pois o maniqueísmo continua sendo adorado pelos brasileiros.

O que acontece é que todas as vezes que há a chance da sociedade rever seus tabus, imediatamente acontece uma contra-partida e todos se retraem, preferindo manter tudo com está. É o que acontece quando o movimento LGBT e feminista (porque homofobia e transfobia são filhotes do machismo) parecem conseguir fazer a sociedade rever seus preconceitos, daí conservadores reagem e fazem a sociedade se retrair e continuar nas suas convicções passadas.

Quando gays estão próximos de terem seus direitos assegurados, procuram fazer a homofobia resistir com retóricas sem-pé-nem-cabeça como "gays querem privilégios"; agora com o crescimento do ativismo trans, unem munição contra, como dizerem que a cirurgia de mudança de sexo impede demais atendimentos médicos. Quando o feminismo parece estar conseguindo fazer as pessoas refletirem sobre o machismo, a televisão se enche de programas humorísticos cujo ``humor´´ é tentar transformar o ato do estupro numa coisa engraçada - como foi a entrevista de Alexandre Frota no Agora É Tarde, da Band - ou tentar comparar ato de doação de leite humano à pornografia - como foi no programa de nome inglês apresentado por Danilo Gentili, no SBT, - chegando ao ponto de até desmoralizar atos de caridade.

Da mesma forma, programas de humor, que disfarçam o bullying em verniz de humor, continuam a apresentar pessoas trans como se fossem aberrações dignas de risos. Hoje é o Homem Trans do Pé-Na-Cova, mas antes tinha um Homem Trans no Zorra Total, e já tinha piada contra Homens Trans em 1999 na Rede Globo. Deste lá a televisão trabalhou o seu público pra enxergar o Homem Trans como uma aberração digna de risos, e a sociedade repete essa afirmação no convívio social feito papagaios-de-pirata.

Daí fica inviável esperar que os homens de 2012 ou 2016 sejam diferentes dos de 1999 ou 2004, porque a propaganda anti-trans continua por gerações.

Em 2013 parecia uma oportunidade da sociedade brasileira amadurecer e progredir, mas a imprensa fez uma força-tarefa pra desmoralizar as manifestações (chamando de vandalismo até terrorismo, como se destruir vidros de bancos fosse semelhante a matar dezenas de vidas como faz o Estado Islâmico). E as cabeças da neo-direita fizeram centenas de analfabetos políticos de classe média acreditarem em ameaça comunista. Na televisão aumentou-se os piores programas de TV, incluindo os programas humorísticos sem graça, e todos resolveram voltar aos modismos de sempre.

Tudo é feito pra impedir que nunca saiamos de 2012, 2004 ou 1999. A própria sociedade tem medo de sair do passado, medo do diferente, pois o conservadorismo é um conhecido, já sabe como ele é, já vive com ele e portanto não tem medo, como uma pessoa se acostuma com uma situação ruim e passa a ter medo de sair dela. O brasileiro em si é um medroso, como diz no popular, "sangue de barata".

Enquanto a brincadeira continua, a previsão é que em 2018 continuará tudo perfeitamente igual, e chegarei ao absurdo de completar 30 anos sem nenhum parceiro, sem sequer ter tido um único namorado.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O fato de eu ter vagina não me faz menos desprezado pelos homens.

Um colega gay recentemente descobriu que minha preferência sexual é por homens, diferente da maioria esmagadora dos Homens Trans, que é por mulheres. E claro, com isso descobriu também que sofro (demais) com isso, pelo fato de eu não agradar nem aos homens gays (pois não tenho o que eles querem, que é o pênis) e nem aos homens heteros (pois eles querem mulheres femininas), e com isso eu estou no limbo do limbo da margem à sociedade. O interessante nisso é o que ele me disse. Que, apesar da complexa condição de Homem Trans gay, que eu teria uma "vantagem", que é de possuir vagina e capacidade de reproduzir.

Eu sei que ele falou isso pra tentar me ajudar e é o melhor do que ele sabe da sociedade. Eu também queria que ele tivesse razão (Ah, como eu queria...) ... mas a realidade é outra e bem pior como imaginamos!

É interessante como as pessoas chegam a conclusões simples de coisas que parecem simples, mas a realidade é que a mente social do homem brasileiro é muito complexa, e os homens heterosexuais, por mais que digam que aceitariam namorar um homem trans (sim, já recebi um comentário falando isso!), a prática é bem diferente, pois o pensamento deles é outro e complexo.

Primeiro, porque nem os homens ditos heterosexuais gostam de mulher. Explico: o homem brasileiro, mesmos os heteros, são narcisistas. Ou seja, eles gostam é de um igual à eles. É por isso que os homens preferem estar com amigos bebendo ou assistindo futebol (que é o jogo aonde 22 machos correm atrás de uma bola) do que estarem com uma mulher. Homem brasileiro odeia mulher, odeia vagina, odeia quaisquer coisa feminina. Homem hetero brasileiro só se casa com mulheres por status social, nunca por amor. Pro homem hetero brasileiro, mulher é troféu de status de ``macho-alfa´´.

Segundo, essa que homens heteros preferem vagina é uma mentira que já vem sendo desmascarada nos últimos tempos. O que mais se vê é homens heteros desdenhando de vagina. O que mais tem na internet são homens heteros xingando vagina de fedorenta ou termos bem grotescos mesmo, como "depósito de esperma". Meu pai que se dizia tão heterozão vivia comparando vagina a um esgoto. Hoje os homens heteros cobram sexo anal de mulheres cis. Se uma mulher cis recusar fazer sexo anal hoje em dia, corre o risco de perder o namorado!

O terceiro, que seria a possibilidade do Homem Trans de gerar filhos de um parceiro Homem Cis, soa um apelo à reprodução, coisa de cristãos e demais conservadores, que não deveria ser proposta pra Homens Trans. Primeiro, nos reduz a uma reles "máquina de reprodução". Segundo, que um homem ficar com alguém só pela possibilidade de reprodução não está ficando por amor, e sim só ficando com um(a) reprodutor(a), só tendo em mente ter filhos! De que adianta eu me casar com um homem que não sonha em estar comigo, e sim nos filhos que poderá ter comigo?

E tem o terceiro que é a idéia da gravidez para nós homens trans é impensável - pelo menos em vários deles! E nisso inclui eu. Homens cis se vêem como privilegiados em não terem o peso da capacidade da gravidez. Homens acham insuportável (pra não dizer palavras mais fortes) a idéia de um bebê sair do meio das pernas... Como com Homens Trans isso seria diferente?

Outra coisa é que mesmo que Homens Trans gays possam gerar filhos pros seus parceiros homens cis, não adianta em nada se vivemos numa sociedade extremamente conservadora, que só admite como família homem cis e mulher cis como pai e mãe dos filhinhos. Essa sociedade vai achar lindo um homem cis ter como "mãe" de seus filhos um Homem Trans? Claro que não! A sociedade vai reprovar veementemente e nós sabemos como os homens brasileiros dão valor à opinião social acima de tudo, inclusive acima da afetividade!

Homens Trans não dão status social de "macho-alfa" pros homens cis. Ou seja, não servimos de "troféu", porque nem atrativos sexualmente somos considerados - pelo contrário, somos considerados "aberrações" sexuais! Homens heteros não querem se casar com "aberrações" nem que as mesmas possam lhe dar filhos. Eles também não irão querer que a "mãe" de seus filhos seja uma "aberração"!

A realidade é que homem brasileiro é uma merda, a sociedade brasileira é uma merda. Exigem demais por coisas sem importância.

Portanto, sem essa de "vantagem"! Não existe nenhuma vantagem em ser Homem Trans gay - é pelo contrário, estou em completa desvantagem! Se realmente fosse uma vantagem, eu não estaria solteiríssimo nos meus quase 30 anos, sem nenhum homem ter assumido algum sério comigo. Também nunca teria passado pelos desprezos que sofri dos rapazes da escola. Nunca teria sofrido com homem jogando na minha cara que nunca se casaria comigo por eu não ser feminina!

Homens Trans gays vivem excluídos da vida afetiva e as pessoas não vêem isso porque possuem uma ilusão de que os homens heteros os vêem como mulher, quando na realidade eles os vêem como mulher mas sem feminidade; e para os homens heteros, mulher sem feminidade não tem "valor marital" nenhum, pois mulher sem feminidade não dá status social de "macho-alfa" pra eles, coisa que o homem hetero brasileiro dá mais valor do que a própria afetividade!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Por que deu errado de novo?

Eu vinha comentando sobre o meu sofrimento na indecisão de tentar de novo conseguir um parceiro, no medo de ser desprezado mais uma vez pelo fato de eu ser transexual feminino pro masculino (Homem Trans). Não deu outra: recentemente uma tentativa minha de conseguir encontrar um parceiro foi fracassada. O homem me desprezou, igual como todos os outros.

Daí a mesma dor se repete, e mais uma vez me sinto como se estivesse na adolescência, quando sofri o primeiro desprezo. É como se eu estivesse ainda ali, e de lá não consigo sair jamais. E a sensação de que todos os homens são iguais, sem exceção, sendo perca de tempo procurar uma exceção da regra.

Já é muito difício me sentir atraído por um homem, e quando isso acontece, a mesma história se repete: ele me despreza pelos motivos mais insignificantes, como a transexualidade, como se transexuais fossem aberrações sexuais, e até mesmo por começar a gostar da pessoa, parecendo que os homens criaram fobia do amor dos outros (ser amado não seria uma coisa ótima?) e... nem eu sei dizer o que é. É como se o homem me odiasse sem motivo. Como se eu tivesse uma doença contagiosa que ninguém quisesse pegar.

Ultimamente o modus-operandi dos homens está sendo de forma diferente, mas curiosamente está sendo igual na forma, se repetindo de um homem para o outro, o que já indica um tipo de ``sinal de rejeição´´. Daí é só o sinal se repetir pra cair a ficha, se ver desprezado mais uma vez e se lamentar na solidão.

O modo é o mesmo: no início o homem se mostra receptivo, mas depois ele muda de personalidade e passa a te tratar com frieza e indiferença. Principalmente se você denotar ou ele achar que você está querendo alguma coisa com ele. E digo de experiência própria, os homens odeiam saber que tal pessoa está a fim dele! Eles querem que eles estejam a fim primeiro e conseguir conquistar a pessoa. Parece que eles se sentem menos ``macho-alfa´´ caso o contrário ocorra, pois eles enxergariam o processo de conquista como o homem conseguindo um prêmio - e esse prêmio é a(o) namorada(o) - e que se é a mulher (ou o Homem Trans) que conquista o homem, quem ganha o prêmio é a mulher (ou o Homem Trans).

E diga-se de passagem, é patético os homens tratarem relações afetivas como prêmios e fazer disso uma disputa! Afetividade é uma coisa pra ser vivida e desfrutada, não pra servir de ferramenta pra um jogo de disputa. Só mesmo numa sociedade de valores deturpados e invertidos, como a sociedade brasileira, pra fazer isso; a mesma sociedade que não conhece o amor, ou mesmo o amaldiçoa, principalmente quando ele está fora dos padrões da hetero-normatividade.

Aliás, homens detestam amor, acham que é coisa de mulher ou de bicha, só porque alguém disse que isso não faz parte da ``masculinidade-alfa´´. Daí não amam e também não querem ser amados. Eles só gostam do amor caso venha de uma mulher feminina que sirva de atestado de ``macho-alfa´´ pro homem.

Daí porque eles ficam irritados, frios e indiferentes quando vêem esse amor vindo de um Homem Trans, ou de uma travesti ou mesmo de uma mulher que não seja ``gostosona´´. Homens não querem se casar com um amor, e sim com um troféu, com alguém que lhe dê status social de ``macho-alfa´´.

``Ah, você está generalizando...´´ Não, não estou, porque há anos tento conseguir um parceiro, e toda a vez é a mesma frustração. Estou próximo de completar 30 anos e os homens continuam os mesmos há 15 anos atrás. E diga-se de passagem, continuam tão iguais que até o modo-operante deles são os mesmos: no início se mostram receptivos, mas depois mudam de personalidade e passa a serem frios e indiferentes.

Isso tudo faz com que eu viva preso numa espécie de loop do tempo, aonde jamais consiga sair de 2004, deste minha primeira frustração amorosa, e viva sofrendo frustração amorosa de todos os homens, não importa quantas tentativas eu faça. Daí tenho uma vida de merda, uma vida sem amor e lotado de solidão, enquanto que outras pessoas conseguem se casar cedo sem problemas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Para os homens, Homem Trans não é digno de amor, mas digno de estupro.

Ser Homem Trans no Brasil é um calvário. Passamos por bullyng escolar, rejeição pela família, e como se ainda não fosse o suficiente, somos tido como aberrações sexuais. Transexuais, masculinos ou femininos, não são vistos como dignos de possuir marido ou esposa, sequer de possuirmos uma família, que a família só seria direito dos heteros, dos cis-normativos.

E quando se é um Homem Trans gay, ou seja, um transexual feminino pro masculino que, invés de gostar de mulher como a larga maioria, gosta de homem, aí ``o chumbo é mais grosso´´!

Isso porque mulheres, geralmente, não são machistas, não se preocupam com as aparências. Já o homem brasileiro vê no(a) namorado(a) ou cônjuge não como um(a) parceiro(a) pra toda a vida, e sim como um troféu de status social pra ser exibido pra sociedade, como prova de que tal homem é o ``macho alfa´´.

Não se admite isso, mas o homem brasileiro, principalmente o heterossexual, vê o casamento não como se unir com a pessoa que ama, mas sim como um status social, pra conseguir benefícios com este status social. Daí que homens não se casam por amor, e sim pra exibir a cônjuge como um ``atestado´´ de que ele é ``macho-alfa´´.

Daí porque sofro desprezo e rejeição por todos os homens, sem exceção. Apesar de eu ser uma vagina pra todos os efeitos, eu não sou feminina, e por isso, não sirvo pra dar ``status social´´ pra esses homens. Eles podem até mentir que se relacionar com uma ``machuda´´ seria igual a se relacionar com uma mulher cisgênero (feminina), mas na prática eles jamais namoram ou namorariam com uma.

Daí porque estou chegando aos 30 anos solteiro, sem sequer ter tido um único namorado. Mesmo que eu tente por diversas vezes.

É sempre a mesma coisa: eu tento chegar com um homem, ele de início se mostra sem preconceitos; mas depois ele muda, começa a ser frio e mostrar indiferença, e me rejeita. Sem o menor motivo aparente.

Um que chegou a me dar uma chance até parecia que me aceitaria, mas depois da relação, se transformou em uma outra pessoa e me rejeitou. E ainda jogou na minha cara que jamais ficaria comigo pelo fato de eu não ser feminina.

Ou seja, para os homens, transexuais femininos pro masculino (Homens Trans) são indignos de serem amados, pelo simples fato de serem transexuais. Além da sociedade brasileira fechar as portas ao acesso à educação e à convivência social, também fecham as portas pra realização amorosa dos transexuais. Daí somos condenados à solidão, É uma tragédia silenciosa.

Mas curiosamente, enquanto os homens me rejeitam amorosamente, outros almejam fazer sexo comigo, mas à força! Enquanto recebo ``não´´ todas as vezes que quero uma relação amorosa, outros homens, cujo não quero relação nenhuma, já me assediaram sexualmente, já me ameaçaram de estupro, e um até tentou levar o estupro a cabo! Já sofri perseguição de um lutador de jiu-jitsu que várias vezes me intimidava, me assediava e tentou me pegar de surpresa numa rua deserta.

Veja a ironia: se para os homens eu, um Homem Trans, não seria digno de ter um marido e de ser amado, ao mesmo tempo eu seria digno de ser estuprado!

Talvez porque estuprar pessoas trans não tiraria dos homens o status social de ``macho-alfa´´, por só haver sexo, e além do fato do estupro ser um ato de dominação contra a outra pessoa. Enquanto que atração afetiva, amor, na cabeça do homem, o diminuiria como ``macho-alfa´´ Ou seja, violência pode, mas amor não pode!

Que princípio moral absurdo é esse aonde o homem não pode amar transexuais, mas que estaria ``tudo bem´´ em violentá-los sexualmente? Que princípio moral absurdo é esse aonde pessoas trans não podem ser amados, mas podem ser violentados?

Ou seja, tudo bem eu ser desprezado, ser condenado à solidão, e se possível até ser estuprado, contanto que eu não seja amado?

É uma crise de valores. Valores trocados aonde estupro virou prova de masculinidade, e amor virou a negação de masculinidade. Valores trocado aonde se acha feio pessoas trans serem amadas por um homem, mas se acha aceitável que as mesmas sejam estupradas por eles! A mim não é permitido amor, mas o ódio, o sofrimento e a humilhação de um estupro é permitido.

Daí pense viver numa realidade assim, aonde homens não te olham como gente, aonde homens simplesmente te odeiam sem motivo. É a minha realidade de Homem Trans gay e a realidade de transexuais. Daí porque minha vida ser um inferno intragável, aonde não consigo encontrar amor em lugar nenhum, mas encontro ódio vindo de todos!

Daí como chegar aos 30 anos assim? Como viver mendigando amor dos homens, mas receber desprezo, rejeição ou até (ameaças de) estupro no lugar? É de enlouquecer qualquer um!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Minha Vida Como As Estações De Uma Árvore.

Uma das coisas que gosto de fazer atualmente é ouvir o áudio Palavra de Esperança do DVD Esperança de Diante do Trono, quando naquele momento a evangélica Ana Paula Valadão revelou sofrer em não conseguir realizar o sonho de engravidar e ter filho(s). Por sinal é poético como até o deus dos evangélicos pode ser maquiavélico com seus próprios adoradores, fazendo-os chorar bastante pra enfim depois conceder os sonhos deles. Pra quê isso? Pra testar fé? Pra fazer as pessoas implorarem nos pés dele? Crueldade tremenda!

O interessante é que tempos depois, o próximo DVD do Diante do Trono é feito com Ana Paula já grávida do primeiro filho, e depois de mais algum tempo ela tem o segundo. A resposta foi incrivelmente rápido se for pensar nos meus históricos de conquistas de sonhos, que chegam a levar tempo demais ao ponto de, quando elas se realizam, já não traz a mesma alegria que traria se fosse realizado mais cedo, porque a vida já tem mais o brilho de antes.

Eu gosto de ouvir a confissão porque ela é um retrato da minha vida atual, que vive num inverno deste 2012. Eu vejo e lembro da minha infância como a primavera da árvore, aonde tudo era tão bonito, as folhas eram tão verdes e cheios de vida pra viver. Os frutos eram tão bonitos de se ver – as criações que eu fazia nenhum outro jovem de Manaus fazia igual. Daí veio o inverno de 2012, quando a segunda frustração amorosa aconteceu, a mais pesada de todas, daí minha vida virou um deserto de lá em diante. E diferente do discurso da Ana Paula, a estação não mudou, e nunca mais esse inverno acabou. Ele veio pra ficar... provavelmente até o fim!

Hoje eu estou nesse inverno da árvore que já dura 4 anos, e com a certeza que tudo acabou. As coisas não são mais como antes, eu não consigo mais ser feliz sozinho, o mundo virtual que eu construi pra mim, pra compensar a falta de amor dos outros, não é mais suficiente, e a sociedade brasileira continua sendo conservadora igual em 1999 e 2000... Pessoas ainda acham que transexuais não são gente, que não merecem vida conjugal; as pessoas ainda são convictas que Homens Trans que gostam de homem (Homens Trans gays) devem abrir mão de sua identidade de gênero e serem ``femininas´´ do nada pra atrair os homens pra si... e os homens, mesmos os heteros, continuam a odiar vaginas.

Parece que o tempo da vida passou pra mim, que tudo o que eu tinha que viver eu já vivi, e que estou vivendo uma sobrevida que não cabe mais, que virou o fim nela mesma... e hoje a partir dos meus 23~24 anos não está mais reservado nada pra mim, a não ser o sofrimento e a carência eterna de um cônjuge que nunca vem. Hoje a minha existência não passa de uma reles resto do passado. Imaginem, uma vida chegar ao fim aos 23 anos, e deste então a pessoa virar uma ``cadáver´´ ambulante, só esperando o tempo passar logo e lembrando como era feliz até os 23 anos! É estar vivo por estar!

E pra essa árvore não há mais estações pra rodízios de 1 ano bom e 2 ruins, como acontecia antigamente: agora ficou finito e já são 4 anos na mesma coisa! 2012 nunca mais acabou, porque aquele homem foi o primeiro e o último a ter me dado uma chance, e com a sociedade brasileira mais neo-conservadora do que nunca, nenhum vai querer ser parceiro de ``uma´´ ``machuda´´ ``velha´´ de 27 anos!

E diferente do que já foi falado recentemente, nem o apelo à reprodução ao fato de, pra todos os efeitos, ter uma vagina, isso não faz uma vantagem, pois, além de até os homens heteros odiarem vaginas, eles só as toleram esposas pra fazer das mesmas troféus de status social. E Homens Trans não dão status social a ninguém.

Pior são as palavras esperançosas vazias profanadas da boca dos outros, que sempre prometem que um dia ``você vai conhecer o amor de sua vida´´, mesmo a pessoa tendo 27 anos, como se já não estivesse tarde o suficiente pra esse marido já ter chegado. O que está se esperando, que eu chegue aos 40? 50? 60? As pessoas sabem que a expectativa de vida de transexuais é de 35 anos? Não, não sabem!

Só são promessas!

Receio que até possa acontecer de eu conseguir um marido, mas muito tarde demais, perto dos 50, quando provavelmente já estarei uma pessoa tão seca que não fará diferença nenhuma, e não terei a felicidade de realizar esse sonho que eu teria hoje enquanto estou (ainda) relativamente mais novo. Ou seja, o sonho se realizará quando ele não for mais um sonho, só pra se dizer que ``ah, você realizou o seu sonho!´´. E que importância vai ter? Pura vingarice! Esperar sonhos tem limite, e uma sociedade como a brasileira não entende isso, achando que os sonhos podem se estender demais e para um futuro tão distante que chega perto da hora de morrer. E 50 anos é idade pré-terceira idade, quando aquela vontade toda de fazer sexo já terá ido todo embora! Passar a vontade de sexo pra depois ter um marido é uma avacalhação! Prefiro não passar por esse desejo reprimido!

Eu não tenho aonde fugir, e esperar é um verdadeiro inferno. Eu prefiro não esperar, que tudo acabe logo e que eu não sofra mais no meu túmulo, pois pessoas mortas não sofrem mais nada. Caso exista vida pós-morte, voltarei ao meu pai e ao meu considerado filho que perdi há mais de 1 ano. Afinal, esperar o que nunca virá é uma tortura que eu não mereço: desespero e angústia! Desespero pela certeza de sofrer no dia de amanhã. Angústia em voltar sozinho pra casa, dormir sozinho, necessitando de carinho e não tendo como ter. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Histórico de desprezo dificulta conseguir um cônjuge hoje.

Como ser mais corajoso em tentar conseguir um cônjuge, se o passado me ensinou que os homens me odeiam? A cada dia o desgaste de estar envelhecendo, estar perto de completar 30 anos e não ter tido sequer um namorado durante a vida, mas o medo continua sendo maior ainda. Medo de mais uma vez ouvir um ``não´´, da pior forma, de se envolver sentimentalmente com alguém e depois ter que cortar a relação na força. É mais do que isso: é medo até de ouvir o que mais teme, de que você seria uma aberração visual, sem nenhum atrativo sexual e indigno de ser amorosamente e sexualmente feliz.

É a própria sociedade que diz isso, e os próprios homens. Deste a pré-adolescência, como Homem Trans (e gay) que sou, fui estigmatizado como uma coisa feia. Colegas de escola e principalmente da mesma sala de aula, percebendo que eu não exalava nenhum pingo de feminidade, tratavam de me estigmatizar de ``feia´´. Não que meu rosto fosse horroroso (pelo contrário: meu sorriso é lindo), e sim que minha própria condição de transexual foi tida como feiura! Ainda mais numa sociedade podre de machista como o Brasil, há a exigência, beirando à ditadura, de que toda pessoa biologicamente mulher use maquiagem, tenha trejeitos femininos, voz doce, e mais. E quem não atendesse à essas exigências, além de ser automaticamente lido como pessoa feia, é desprezado socialmente.

Com todos me estigmatizando como uma pessoa feia, logo os homens, o gênero mais Maria-vai-com-as-outras e que mais se importa com a opinião da sociedade, também achariam o mesmo. Além disso, o homem brasileiro possui uma séria dependência em relação ao status social: parece que os homens morrem se não terem status social de ``macho-alfa´´!

Daí graças a isso que eu passei pelo meu maior medo, que foi gostar de um homem e ser desprezado por ele, porque as outras pessoas já haviam me estigmatizado como pessoa louca e como pessoa feia. O homem que eu gostei também me viu como louca e feia. Foi o fim!

Daí como depois se declarar para um homem novamente, como depois tentar de novo? Pra sofrer desprezo e aversão de novo? Não é só questão de trauma, pois a sociedade brasileira, sobretudo a sociedade manauara, vive parada no tempo, aonde as pessoas não mudam, e são exatamente iguais umas às outras. A mentalidade dos homens de 1999 à 2003 é a mesma de 2012, que é a mesma de atualmente, 2016.

Por isso que, em 2012, passei pela pior frustração amorosa, ao ponto de ter tido relações com um outro homem, mas depois ele me despreza, alegando que eu não serviria pra casar porque não sou feminina. Ou seja, repetiu a mesma coisa que os fedelhos de 1999 já diziam, que eu não me fazia digno por não ser feminina!

Daí o medo astronômico de tentar de novo, pior ainda em pensar em me declarar pra um homem. Cada desprezo é um prego no caixão, uma punhalada no coração. E o trauma é carregado pelo resto da vida. O medo é pior ainda se o homem for lindo demais. Daí tenho a sensação de que eu seria indigno de conseguir tal homem, pois ele seria ``areia demais´´ pro meu ``caminhãozinho´´.

Daí o medo me congela, e eu acabo não indo atrás do meu sonho de me casar, e acabo envelhecendo solteiro eternamente. E tudo por causa de uma sociedade transfóbica até o tutano dos ossos, que não suporta a idéia que pessoas trans tenham o direito à afetividade e à relação conjugal. Pra essa sociedade, pessoas trans nem seriam gente!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Troco minha vida amorosa pelo ativismo político.

Confesso: ando trocando a minha vida pessoal pela minha vida de ativista político. O tempo todo eu penso no meio político. Até mesmo quando não estou ocupado em nenhuma atividade em política amazonense ou trans, estou pensando sobre o ativismo, no que vou fazer, planejando coisas e em retomar as postagens dos meus blogues. Eu mesmo considero como diversão atual leitura de blogues e facebooks progressistas. Vez e outra que eu lembro da minha vida particular e o quanto estou perdendo tempo, envelhecendo e sem nenhuma perspectiva de conseguir o sonhado marido.
Eu sei que isso é minha reação semi-consciente da situação da minha vida. Deste a minha maior frustração amorosa que sofri, em 2012, que passei a fugir pra política por frustração da minha própria vida particular. Ela em si se tornou um inferno, insuportável, um plano que não deu certo e faleceu pra sempre. Daí que rompi com a forma de vida que levava antes 2012, pois vivê-la é o mesmo que continuar vivenciando a catástrofe amorosa daquele ano, é lembrar que antes eu era um virgem feliz e que daquele momento em diante perdi tudo, até meus sonhos. Daí tenho no ativismo político uma ``nova vida´´, sem as chances de me frustrar ou de sofrer ao ponto de desejar morrer. Aliás, o próprio ativismo é um risco à vida, e como não tenho nada a perder, não tenho medo de morrer: se a morte vier, ela será um alívio e não um castigo!
É interessante ver aqui como em uma parte, eu me lanço no ativismo justamente pra apostar, brincar com a morte: se minha vida é uma merda, nada mais esperto, e até vingativo, do que pôr-la em aposta! Se eu morrer, alívio dos meus problemas! Se eu viver, mais uma chance de mudar o mundo (o Brasil pelo menos... o Amazonas no mínimo)!
O ativismo também me permite decidir o meu próprio destino, coisa que a vida particular amorosa não permite. No ativismo eu posso fazer política, colocar minhas ideias, fechar ruas, desafiar gigantes. No ativismo eu posso convencer as pessoas às minhas ideias progressistas através da boa dialética. Enquanto que na vida particular amorosa eu sou incapaz e impossibilitado de convencer um homem a namorar comigo!
É interessante eu mesmo ver que eu cresço assustadoramente rápido no campo político [e sem me corromper em nadinha e sem pisar em ninguém!  :-)  ], enquanto que no campo amoroso sou um completo desastre. Sou capaz de usar palavras fáceis pra fazer o público entender como funciona a alienação e a transfobia, mas sou incapaz de fazer um homem se apaixonar por mim. Tenho mais coragem de falar em público do que tentar conversar com um homem lindo encontrado no meio da rua ou em uma ocasião. Isso porque se eu me falhar no ativismo, eu posso me corrigir e me aperfeiçoar mais tarde, enquanto que no meio amoroso, se eu falhar e o homem me desprezar, entrarei em depressão profunda e ficarei arrependido pelo resto da vida.
Além disso, já estou progredindo muito no meio ativista. Já no meio amoroso foram 12 anos de tentativa e nenhum progresso. O único progresso foi perder a virtude, e por um alto preço, o que fez o sonho de perdê-la virar um pesadelo, até hoje! No ativismo, bastou meio ano pra ter um progresso enorme! De muito esforço sim, mas os esforços tiveram frutos, isso que é importante. Enquanto que no campo amoroso, tudo que você colher vira cinzas com um simples ``não´´ de um homem!
Daí que eu acabo perdendo a noção do tempo e, quando percebo, vejo que escolhi gastar meu tempo com o ativismo invés de procurar conversar com um homem em que eu hipoteticamente teria chance de ter alguma coisa. Mesmo sofrendo toda a vez que volto pra casa sozinho dentro de um ônibus saculejante, mesmo morrendo de vontade de transar com um baita macho. Estou sim sabotando a mim mesmo. Mas fazer o quê? São os homens que me odeiam, que me desprezam à solidão, que negam assumir relacionamento sério com um Homem Trans gay. Eles quem escolhem colocar o status social de ``macho-alfa´´ acima da afetividade. Eles quem jogam na cara que por eu não ser feminina eu não sirvo pra casar!
E se eles me trocam por merda de status social, porque eu não posso trocá-los também? E por uma coisa melhor, que é o ativismo político, pra mudar melhor uma sociedade?
Eu não sei por quanto tempo essa amargura, ou auto-defesa, vai durar. Se daqui a alguns anos, quando alcançar minha idade-limite de 30 anos, a abstinência amorosa e sexual vai falar mais alto e eu vou ter coragem de tentar de novo, e provavelmente ser desprezado mais uma vez e me arrepender amargamente... As coisas funcionam assim, continuam funcionando assim, e eu apenas sou uma ovelha perdida sendo empurrada pro matadouro. A sociedade continua misógina e transfóbica igual a 20 anos atrás, e ao que tudo indica, com esse neo-conservadorismo que vive o país, é que continue assim e chegue assim em 2018.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Embriaguez é masculinidade?


O que é masculinidade pra sociedade brasileira? As respostas serão várias, a maioria bem inconveniente. Relacionar agressividade à masculinidade é uma das piores. Quem vai querer ficar ao lado de uma pessoa agressiva pra tomar porrada de graça? Pior é relacionar masculinidade com falta de afetividade. Daí homens extirpam a única coisa que os faria humanos, que é a afetividade, pra virarem psicopatas e ameaça social; pois psicopatas são as pessoas que possuem um defeito cerebral que os fazem apáticos, pessoas sem sentimentos.
Mas até hoje a população brasileira na hora do ``vamos ver´´ insiste em manter o consciente coletivo esses valores equivocados, sob o medo de uma ameaça à família (ou à reprodução da espécie humana) que nunca existiu. Como se os homens fossem virar estéreis caso deixem de ser agressivos, ou como falta de agressividade gerasse incapacidade de criar os filhos. Ou que falta de agressividade manipulasse a orientação sexual, ou a identidade de gênero do homem, ou os dois! Ainda mais percebendo que a falta de agressividade não impediu o surgimento dos Homens Trans.
Mas mesmo assim a televisão, ou as músicas, insistem em atribuir coisas absurdas, sem pé-nem-cabeça, à masculinidade. Uma delas é uma música de forró``esculhambado´´, que diz que ``sinais de masculinidade´´ são três: mulher, cachaça e galha (chifre).
Relacionar a heterossexualidade como masculinidade é antiga e ofende os homossexuais, principalmente os não-afeminados. Ofende também as lésbicas e os Homens Trans. Ora, lésbicas gostam de mulheres mas continuam femininas e se afirmando como mulheres! E os Homens Trans que gostam de mulheres não se sentem homens porque gostam de mulheres! E os Homens Trans gays, como ficam? Vão dizer que eu sou menos Homem Trans porque não gosto de mulher?
Mas relacionar embriaguez à masculinidade é nova! E igualmente controverso! Coitado dos abstenhos! Imaginem, a masculinidade ser oriunda de bebida alcoólica! Será que teremos advogados defendendo pessoas embriagadas no volante dizendo que essas pessoas estavam em manifestação de masculinidade? E mulher embriagada, como fica? Ou irão dizer que mulher embriagada vira Homem Trans, e desvira quando passa o feito do álcool?
Talvez manter essa relação entre masculinidade e embriaguez seja pra outra coisa: vender bebida alcoólica. Homens inseguros que vão beber só pra garantir que a sociedade os veja como homens! Tenho pena desses homens! Ou não... já que homem nenhum é digno de minha pena!
Masculinidade é uma coisa que vem de dentro pra fora, não o inverso. Quem bebe até cair achando que está sendo o mais alfa dos machos está se iludindo, e pagando de``bêbado-alfa´´ invés de ``macho-alfa´´.

O que quer a Globo e o BBB16 com Laércio e Ana Paula

Os brasileiros, sobretudo os manauaras, seguem o que vêem e ouvem da TV. Incapazes de pensarem por conta própria, pois não aprenderam a fazer isso na escola ou pela família, e nem sabem por onde começarem, acabam sendo escravos da opinião televisiva.
Daí que a televisão, para manter a população conservadora e manter tudo ruim como está (ou destruir conquistas socias), faz como uma espécie de propagada de valores machistas, homofóbicos e transfóbicos pra população. Lembrando que o a homofobia e a transfobia são filhotes do machismo.Além de impedir a emancipação feminina, impede os homens de serem livres pra serem o que quiserem, sem os papéis rigorosos que o machismo impõe pra eles, como o papel de serem pessoas sem sentimento.
Daí porque vemos programas de televisão, como o Big Brother Brasil, que já cansou o espectador pelo próprio conteúdo supérfulo (fofoca da vida dos outros), degradante (intrigas e brigas) e cheio de conteúdo extravagante e prejudicial à sociedade (machismo, estupro de pessoas embriagadas, mutilação de animais, homofobia, racismo ...), mas que a emissora (Rede Globo) insiste em manter no ar, pra manter no conservadorismo o pouco público que ainda faz questão de assistir esse programa. Já que os que restam assistindo o Big Brother Brasil são pessoas mais marginalizadas intelectualmente, daí que o objetivo do programa de manter-se no ar não é mais por audiência, e sim pra criar identificação com o seus poucos espectadores, pra mantê-los ainda conservadores porque "o Brother ali também o é, então eu posso ser".
Daí não ser surpresa que dentre os participantes do BBB estão uma mulher machista e um velho que quer transar com novinhas. Estamos num tempo de guerra ideológica não-declarada, aonde o conservadorismo se vende como "novo" e quer derrubar o feminismo. O BBB serve-se pra fazer parte dessa guerra ideológica, tentar desqualificar o feminismo e fazer propagada pró-machismo.
Daí a participante Ana Paula (que não é a Valadão cantora gospel) defender a volta de uma sociedade mais machista, inclusive de forma equivocada, como imputar a bobalhice do homem brasileiro atual como resultado do feminismo. Os homens estão mais bobos por tentativa de vingança contra o feminismo, e não resultado da vontade feminista. Se eu passo por solidão porque homens não admitem gostar de Homens Trans por puro orgulho, isso é por causa do machismo desses homens, e não culpa de resultado de batalha do feminismo!
Quanto ao Laércio (nome parece soma do personagem Laerte de Em Família com o político Aércio Neves; coincidentemente, os dois maltratam mulheres), um velho que não se manca e se acha no direito de transar com novinhas com idade pra ser suas filhas, essa é uma propagada antiga da Globo. Há anos a Globo exibe em suas novelas casais formados por homem velho e mulher nova e repete isso a exaustão. De tanto repetir, já conseguiu fazer a população de homens coroas sonharem em terem mulheres novas na cama, inclusive trocar as suas esposas idosas por novas esposas 20 ou 30 anos mais novas. E de fazerem até homossexuais e mulheres transexuais jovens sonharem em serem desejadas por velhos ricos. (Sim, eu já testemunhei isso!) Parece que não acharam suficiente a mensagem nas novelas e resolveram estender essa mensagem também pro programa!
Esse é um ideal machista antiguíssimo, dos tempos antes de Cristo. O seu apelo é em relação à reprodução, já que homens produzem testosterona a vida inteira, enquanto que mulheres entram na menopausa quanto chegam à idade avançada. Num casal cujo homem velho e mulher nova, a reprodutividade do casal permanece, enquanto que num casal cujo homem novo e mulher velha, não há mais reprodutividade. E no machismo, mulher que tenha somente o prazer sexual, sem a obrigação da reprodução, é tido como inadmissível.
Por sinal, notem que o machismo é um pensamento que vive no passado, quando a reprodução em massa de indivíduos era a única forma de garantir a sobrevivência da espécie humana, já que não havia o conhecimento científico que temos hoje, como noções de higiene e remédios, pra manter pessoas vivas. O conservadorismo tem dessas coisas, vive no passado e almeja manter a sociedade presa à ela.
O mal não é um ou outro homem ter esse fetiche nato em si, mas sim de querer transformar isso numa unanimidade, daí coitada das mulheres que serão obrigadas a sonharem se casar apenas com homens velhos, e coitadas das mulheres mais velhas, pois não terão como terem um companheiro. Além disso, há um limite nessa disparidade de idade: uma moça de 18 anos ter relações com um idoso de 60 anos é nojento, beira a um estupro. A cena veinculada na minisérie Ligações Perigosas (veinculada pela própria Globo - que ironia!) não me deixa mentir: é extremamente nojento e dá vontade de vomitar!
Aliás, a mídia também investe um pensamento nas mulheres novas de se casarem por dinheiro invés de amor, e insinua vantagens nisso para fazerem elas aceitarem a idéia de terem maridos coroas. Não é a tôa que também vemos a morte do amor na sociedade brasileira, com isso e também com homens que não querem se casar por amor e sim por status social.
Até mesmo coroas de mentalidade progressistas que tem gosto por mulheres mais novas reclamam dessa nova regra social, argumentando que pode homens velhos com mulheres novinhas de boa, mas contato que esses homens velhos sejam companheiros joviais pra suas parceiras, e não que tenham a companheira como um troféu social de "macho-alfa".
É um perigo social a "doutrinação" (como os direitistas gostam tanto de falar) desses ideais retógrados e nocivos que o Big Brother Brasil faz em forma de entretenimento de quinta categoria. Tudo para impedir o avanço social e intelectual das pessoas, tanto de mulheres quanto de homens. E são essas coisas que causam o sofrimento da sociedade brasileira, que causam depois a solidão de Homens Trans que invés de mulheres querem se casar com homens, mas encontram somente desprezo deles, pois eles já foram iludidos a "sonharem" com uma idéia megalomaníaca de se casarem com uma mulher novinha, pra ganharem status social de "macho-alfa".