Idade-Limite 2018
Relatos da vida sentimental de um homem trans gay.
terça-feira, 4 de junho de 2019
Por que homens cis morrem de medo de pessoas trans?
Surreal: um homem feio e cheio de ódio no coração conquista os homens!
Na verdade não me surpreende que aja heterossexuais que amem Bolsonaro. Quem é LGBT sabe que a frase "o mundo é gay" não é forçação de barra, e sim uma complexa realidade em que a heterossexualidade brasileira, ou ela raramente existe, ou ela vive em crise. Nossos heterossexuais não gostam de mulher, não gostam de corpo fêmea, inclusive têm nojo de vagina. Nossos homens héteros gostam de outros homens, gostam inclusive de um esporte formado por 22 machos correndo atrás de bola. O machismo daqui transforma o heterossexual brasileiro num homossexual narcisista, que chega a ter tanto nojo do feminino e do corpo fêmea que acaba transferindo sua afetividade na figura masculina.
O Bolsonaro é a perfeita manifestação dessa "heterossexualidade 2018" desses heterossexuais em crise: é uma figura masculina que carrega todo o exteriótipo do "homossexual narcisista" dos homens héteros brasileiros. Bolsonaro odeia o feminino e o corpo fêmea, é uma figura de masculinidade carregada de ódio e contenda. Os homens olham pra ele e o admiram, e acabam tendo uma atração sexual por essa figura, não por menos que houve e há até hoje tantas manifestações de homoafetividade por ele durante a campanha eleitoral e se extendendo até os dias de hoje. Imagens de Bolsonaro em corpos sarados de super-herois de desenhos animados, até vídeo de um homem gritando "eu te amo" pro Bolsonaro.
Esses homens, que reprimem a própria afetividade por considerar "coisa de mulher", vêem na adoração ao Bolsonaro uma brecha de manifestação de afetividade, já que estão amando alguém que é contra o amor. É uma forma doentia que esses homens estão "resolvendo" sua covardia em manifestarem e receberem afetividade reprimida. O resultado é álgum bizarro: amor por um homem feio cheio de ódio!
Me causa indignação, revolta, estarrecimento e coisas que nem consigo exprimir, de como homens cis acabaram tendo coragem de manifestar amor por um homem cujo aspecto é o pior possível, mas esses mesmos homens morrem de medo de manifestarem amor por pessoas trans, como se os corpos transgêneros fossem deformes, ao ponto de o corpo de um velho de 60 anos chegar a ser mais "atrativo" aos olhos deles; esses homens preferem receberem ódio de Bolsonaro do que receberem amor de um homem trans como eu.
O que Bolsonaro tem que eu não tenho? Vocês gostam de receberem ódio? Gostam de tomar porrada?
Lembrando que de jeito nenhum insinuo aqui que corpos idosos não possam ser atrativos, inclusive defendo sim que pessoas idosas se apaixonem e namorem, são seres que ainda estão vivos e necessitam de afetividade. O ponto aqui que eu coloco é como um homem trans de 30 anos de aspecto jovial como eu é rejeitado, enquanto um homem cis cuja malevolência se expressa no seu aspecto físico (o rosto do Bolsonaro é cadavérico, parece alguém putrefado em vida) é mais bem-quisto do que o meu. Conheço homens idosos de Esquerda que possuem aspecto bem mais atraentes que o do Bolsonaro, pois eles não nutrem cólera no coração.
O que fazer perante isso? Não sei! Esses homens estão em crise psicológica, e não estão a fim de tratarem seus medos. Quem paga o pato disso tudo são as mulheres, as pessoas trans e toda uma sociedade doente que não consegue tratar seus medos e seu passado, preferem resolver as coisas aderindo à essa "heterossexualidade bolsonarista".
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Um conto sobre um espelho.
Era uma vez uma pessoa que encontrou um espelho na rua. O espelho era grande, e a pessoa estava justamente precisando de um espelho daquele tamanho, e decidiu: "Vou levá-lo comigo!".
Carregou o espelho para a sua casa, com muito carinho. Ali, começou a usar o espelho, e ficou muito feliz em tê-lo na sua casa.
Mas de repente, sem motivo nenhum, o espelho cai. Na tentativa de segurá-lo, feriu o braço da pessoa. O espelho caiu no chão e se espatifou em mil pedaços.
A pessoa aterrorizada correu pra lavar e desinfectar a ferida, e chorou com a gravidade da ferida. Uma ferida grave, que danificou seu braço que era bonito e perfeito, e depois daquele corte nunca mais seria o mesmo, estando com uma cicatriz, um símbolo daquele espelho tão querido que se quebrou, e ainda lhe feriu!
Esse espelho é como os homens e eu sou a pessoa da história: eu precisava deles, os levei pra mim com amor e carinho, e esse homem ingrato escapou de mim, se destruiu e ainda por cima me machucou, deixando sua marca danificando a beleza do meu ser pelo resto da minha vida!
quinta-feira, 7 de julho de 2016
É difícil se apaixonar por um homem hoje em dia.
Primeiro dia de aula, segundo, terceiro, décimo, depois de um e dois meses: eu olho os rapazes e não encontro nenhum interessante, nenhum pra me apaixonar.
Eu olho pra cada um e acho todos iguais. Não há nenhum que olhe e aja chance de ser, nem que seja só um pouco, diferente.
E o pior: de todos eles, TODOS, a certeza que, caso eu me achegasse, irão me desprezar!
A desilusão com as experiências do passado não muito passado (um pretérito imperfeito que é a cara do país que vive eternamente repetindo o passado) foi tamanha que não consigo sequer olhar prum homem sem junto pensar que ele, com certeza, me rejeitará e me desprezará!
Os manauaras são extremamente preconceituosos. E discriminadores. Pessoas de outros estados ou mesmo LGBTs de outros estados não conhecem a realidade intelectual do povo amazonense e do povo manauara, da capital Manaus. Aqui, até os LGBTs são super-preconceituosos. Tente se apresentar como homem trans para um gay que ele vai embora morrendo de nojo!
Os homens manauaras são extremamente hostis. Até mesmo os que parecem também sofrerem hostilidade dos demais também rejeita, a perfeita cena do absurdo de "oprimidos que também oprimem", que parece ser coisa só de uma sociedade extremamente atrasada intelectualmente como a brasileira!
Um rapaz que se isola do mundo real e vive no videogame, mas que é super machista e preocupado com as aparências (status social), me desprezou!
Um outro rapaz que parece ser muito tímido, quando tentei conversar, ele rejeitou na hora! E olha que o motivo da conversa era outra coisa, imagina se fosse aquela...
Assim fica difícil! Assim não há santo que agüente!
Daí prefiro nem chegar perto, nem ousar tentar, ou dar uma chance, tanto pros homens quanto pra mim mesmo. Melhor enfiar na cabeça a dura realidade de que nenhum homem presta, daí mesmo que um rapaz lindíssimo apareça, lembrar que provavelmente ele me rejeitará igual a todos os outros, e a paixão logo vai embora!
Às vezes acho bom assim, não me apaixonar por nenhum homem, assim não corro risco de sofrer mais desprezos, nem mais frustrações, desilusões, decepções...
Mas ao mesmo tempo, a vida fica vazia, o coração duro, a vida sem sentido.
Mas fazer o quê, se os homens acham que estão "arrasando" assim?
A sociedade decidiu que amor seria coisa "brega", jogaram-na à margem da sociedade e a varreram pra baixo do tapete, igual como fazem com as pessoas trans. E ninguém reclama. É complicado reivindicar por afetividade, não é como se reivindica direitos sociais. Daí porque ser homem trans gay no Brasil é tão difícil até pra reivindicação social, pois reivindicar que homens parem de terem nojo de "machos com vagina" é um tabu que mexe com os pilares do machismo, que a população está tão acostumada até a reproduzir, que mexer vai causar uma crise de realidade e até de identidade na população!
A sociedade brasileira até hoje morre de medo de mudança. Quer e reconhece a necessidade de mudar, mas no momento H sempre amarela e volta a continuar como estava. Enquanto não superar esse medo, os homens continuarão todos iguais, e eu não conseguirei mais me apaixonar e muito menos me casar antes dos meus muito próximos 30 anos!