Primeiro dia de aula, segundo, terceiro, décimo, depois de um e dois meses: eu olho os rapazes e não encontro nenhum interessante, nenhum pra me apaixonar.
Eu olho pra cada um e acho todos iguais. Não há nenhum que olhe e aja chance de ser, nem que seja só um pouco, diferente.
E o pior: de todos eles, TODOS, a certeza que, caso eu me achegasse, irão me desprezar!
A desilusão com as experiências do passado não muito passado (um pretérito imperfeito que é a cara do país que vive eternamente repetindo o passado) foi tamanha que não consigo sequer olhar prum homem sem junto pensar que ele, com certeza, me rejeitará e me desprezará!
Os manauaras são extremamente preconceituosos. E discriminadores. Pessoas de outros estados ou mesmo LGBTs de outros estados não conhecem a realidade intelectual do povo amazonense e do povo manauara, da capital Manaus. Aqui, até os LGBTs são super-preconceituosos. Tente se apresentar como homem trans para um gay que ele vai embora morrendo de nojo!
Os homens manauaras são extremamente hostis. Até mesmo os que parecem também sofrerem hostilidade dos demais também rejeita, a perfeita cena do absurdo de "oprimidos que também oprimem", que parece ser coisa só de uma sociedade extremamente atrasada intelectualmente como a brasileira!
Um rapaz que se isola do mundo real e vive no videogame, mas que é super machista e preocupado com as aparências (status social), me desprezou!
Um outro rapaz que parece ser muito tímido, quando tentei conversar, ele rejeitou na hora! E olha que o motivo da conversa era outra coisa, imagina se fosse aquela...
Assim fica difícil! Assim não há santo que agüente!
Daí prefiro nem chegar perto, nem ousar tentar, ou dar uma chance, tanto pros homens quanto pra mim mesmo. Melhor enfiar na cabeça a dura realidade de que nenhum homem presta, daí mesmo que um rapaz lindíssimo apareça, lembrar que provavelmente ele me rejeitará igual a todos os outros, e a paixão logo vai embora!
Às vezes acho bom assim, não me apaixonar por nenhum homem, assim não corro risco de sofrer mais desprezos, nem mais frustrações, desilusões, decepções...
Mas ao mesmo tempo, a vida fica vazia, o coração duro, a vida sem sentido.
Mas fazer o quê, se os homens acham que estão "arrasando" assim?
A sociedade decidiu que amor seria coisa "brega", jogaram-na à margem da sociedade e a varreram pra baixo do tapete, igual como fazem com as pessoas trans. E ninguém reclama. É complicado reivindicar por afetividade, não é como se reivindica direitos sociais. Daí porque ser homem trans gay no Brasil é tão difícil até pra reivindicação social, pois reivindicar que homens parem de terem nojo de "machos com vagina" é um tabu que mexe com os pilares do machismo, que a população está tão acostumada até a reproduzir, que mexer vai causar uma crise de realidade e até de identidade na população!
A sociedade brasileira até hoje morre de medo de mudança. Quer e reconhece a necessidade de mudar, mas no momento H sempre amarela e volta a continuar como estava. Enquanto não superar esse medo, os homens continuarão todos iguais, e eu não conseguirei mais me apaixonar e muito menos me casar antes dos meus muito próximos 30 anos!