segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sonho de participar de festas frustrado.

Um dos meus sonhos de pré-adolescente, e que é sonho até hoje, é de participar de festas, tanto pra me divertir com as pessoas quanto pra encontrar um namorado. Esse sonho permaneceu em mim até hoje, por eu não tê-lo realizado, e agora com idade avançada de 27 anos, percebi que esperei demais a festa chegar pra mim e não vir, e vivo o desespero de correr pra recuperar o tempo perdido e tentar viver álgum que deveria ter vivido anos atrás, na esperança (ou desespero) de resgatar uma vida frustrada pelo machismo e transfobia da sociedade.
O meu sonho partia de mídias que falavam que a gente encontrava a pessoa especial pra namorar e casar nas festas, de aniversário, de escola, do bairro, etc. Enquanto que na realidade a mídia vendia uma coisa que não correspondia à vida real, sobretudo à vida manauara, que é totalmente diferente de uma festa de São Paulo.
Pra falar a verdade não sei dizer se uma festa colegial de São Paulo, ou mesmo do Rio de Janeiro, seria a tal festa que meus sonhos idealizaram pra ser o encontro do cônjuge da minha vida. O que eu sei é que as festas versão baré, pelo menos as mais populares e dos mais pobres, não são aquilo que eu sempre sonhara. Talvez as de classe média, a mesma que mais parece paulistana do que manauara, sejam assim, mas elas estão fora do alcance de um pobre de marré-deci como eu.
Primeiro problema está nas pessoas. O povo manauara é de um determinado perfil que é totalmente averso ao meu. Pessoas de QI muito baixo, desprovidos de sensibilidade e de sonhos, gostam exclusivamente que forró e brega. Pra piorar, são pessoas exatamente iguais umas às outras em questão de personalidade: parece que todo manauara é um clone exato do outro, de tão homogêneos que são. Quer dizer, não existe exceção da regra, todos curtem forró e brega, e uma canção lenta e bela chega a ser traumático pros ouvidos dessa gente!
Daí que por mais que eu tenha desejo de participar de festas, eu simplesmente não consigo curtir uma. Eu simplesmente não me sinto à vontade, não me sinto fazendo parte daquela festa. As pessoas também não são aquelas que eu queria encontrar: pessoas bêbadas se comportando feito bichos, que acham que sensibilidade é doidice. O som excessivamente alto impossibilita tentar puxar papo pra fazer novos amigos ou namorado.
Em festas em prefiro apenas fumar e ficar sóbrio. Quando decido beber, é só o suficiente pra relaxar e quebrar o gelo. Mas as pessoas bebem e bebem muito, e é o que mais fazem numa festa! Parece que as pessoas meteram na cabeça que o conceito de festa e diversão é beber até caír! Mesmo estando muito bêbadas, continuam bebendo, como se o efeito do álcool em si fosse diversão.
O outro conceito conturbado de festa é a da música. Primeiro, excessivamente alta, que impede que conversar com as demais ao redor. Segundo, o gênero musical é exclusivamente o forró esculhambado de Aviões do Forró, Forró da Bagaceira e outras agressões ao ouvido, com suas letras sobre bebedeira, luxúria, sexo sem compromisso (pegar-e-largar), e demais temas de baixo nível, como briga conjulgal e guerra entre sexos. Espera-se que festa seja um ambiente de alegria, e não a reprodução de coisas negativas do cotidiano, pra serem levados às festas e lavando as mágoas sofridas por elas com banhos de cerveja!
A primeira impressão que fica é que o caboclo manauara é um índio que não sabe brincar de festa, mas observando blogues de fluminenses do Rio de Janeiro, é provável que seja uma cultura de festa que foi importada pra cá, e que a população baré aderiu como gado adere a qualquer coisa que venha de autoridades. Nenhum problema haver pessoas que acham estar alcançando a felicidade na embriaguez: problema é terem tornado isso regra absoluta e imutável pra festas!
Daí como um homem trans como eu poderá realizar o sonho de curtir festas, desfrutar da vida, conhecer amigos e cônjuges, e se sentir um vitorioso na vida e não um perdedor? É a própria sociedade que impede abrir as portas pras oportunidades, empurrando um conceito de festa totalmente deturpado e obrigando que todos curtam festa enchendo a cara até cair e ouvindo as piores músicas, que deixam o ambiente mais com ar de bar, menos de festa!