quinta-feira, 7 de julho de 2016

É difícil se apaixonar por um homem hoje em dia.

Primeiro dia de aula, segundo, terceiro, décimo, depois de um e dois meses: eu olho os rapazes e não encontro nenhum interessante, nenhum pra me apaixonar.

Eu olho pra cada um e acho todos iguais. Não há nenhum que olhe e aja chance de ser, nem que seja só um pouco, diferente.

E o pior: de todos eles, TODOS, a certeza que, caso eu me achegasse, irão me desprezar!

A desilusão com as experiências do passado não muito passado (um pretérito imperfeito que é a cara do país que vive eternamente repetindo o passado) foi tamanha que não consigo sequer olhar prum homem sem junto pensar que ele, com certeza, me rejeitará e me desprezará!

Os manauaras são extremamente preconceituosos. E discriminadores. Pessoas de outros estados ou mesmo LGBTs de outros estados não conhecem a realidade intelectual do povo amazonense e do povo manauara, da capital Manaus. Aqui, até os LGBTs são super-preconceituosos. Tente se apresentar como homem trans para um gay que ele vai embora morrendo de nojo!

Os homens manauaras são extremamente hostis. Até mesmo os que parecem também sofrerem hostilidade dos demais também rejeita, a perfeita cena do absurdo de "oprimidos que também oprimem", que parece ser coisa só de uma sociedade extremamente atrasada intelectualmente como a brasileira!

Um rapaz que se isola do mundo real e vive no videogame, mas que é super machista e preocupado com as aparências (status social), me desprezou!

Um outro rapaz que parece ser muito tímido, quando tentei conversar, ele rejeitou na hora! E olha que o motivo da conversa era outra coisa, imagina se fosse aquela...

Assim fica difícil! Assim não há santo que agüente!

Daí prefiro nem chegar perto, nem ousar tentar, ou dar uma chance, tanto pros homens quanto pra mim mesmo. Melhor enfiar na cabeça a dura realidade de que nenhum homem presta, daí mesmo que um rapaz lindíssimo apareça, lembrar que provavelmente ele me rejeitará igual a todos os outros, e a paixão logo vai embora!

Às vezes acho bom assim, não me apaixonar por nenhum homem, assim não corro risco de sofrer mais desprezos, nem mais frustrações, desilusões, decepções...

Mas ao mesmo tempo, a vida fica vazia, o coração duro, a vida sem sentido.

Mas fazer o quê, se os homens acham que estão "arrasando" assim?

A sociedade decidiu que amor seria coisa "brega", jogaram-na à margem da sociedade e a varreram pra baixo do tapete, igual como fazem com as pessoas trans. E ninguém reclama. É complicado reivindicar por afetividade, não é como se reivindica direitos sociais. Daí porque ser homem trans gay no Brasil é tão difícil até pra reivindicação social, pois reivindicar que homens parem de terem nojo de "machos com vagina" é um tabu que mexe com os pilares do machismo, que a população está tão acostumada até a reproduzir, que mexer vai causar uma crise de realidade e até de identidade na população!

A sociedade brasileira até hoje morre de medo de mudança. Quer e reconhece a necessidade de mudar, mas no momento H sempre amarela e volta a continuar como estava. Enquanto não superar esse medo, os homens continuarão todos iguais, e eu não conseguirei mais me apaixonar e muito menos me casar antes dos meus muito próximos 30 anos!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O sexo oral num tempo de masculinismos

Foi um rapaz que esteve do meu lado, cujo cheiro dele era de sexo oral. Daí lembranças vieram. Lembranças de relações com o único homem que havia me dado uma chance, mas logo depois me desprezou.

Daí as mesmas lembranças me trouxeram arrependendimento, até mesmo nojo.

Não que eu tenha deixado de gostar do órgão genital masculino, e sim porque não considero o homem digno de tamanha carícia.

Principalmente hoje, nos atuais tempos em que os homens brasileiros confessam odiar vagina e o feminino, odiar mulheres e pessoas trans.

Assim como o sexo anal, o sexo oral é uma entrega muito grande. Mais que isso: parece quase uma declaração de amor à genital que se está acariciando!

Daí que essa genital é do mesmo indivíduo que odeia mulheres e pessoas trans. Lembrando que os brasileiros são muito iguais uns aos outros, e entre os homens é quase uma regra sem excessão!

Isso inclusive deve ser origem de muita arrogância nos homens, que exigem demais sexo oral e não querem fazer a recíproca de dar amor a(o) parceira(o) em troca. Daí o homem fica moleque mimado, e acredita que pode ser machista e misógino que ainda por cima será recompensado com um bom sexo oral!

Igual às gerações passadas de homens que não se importaram em tripudiar mulheres, pois depois poderiam se satisfazer com prostitutas.

Hoje me arrependo de ter feito o que fiz. Acredito que foi por causa de ter dado amor demais que fez o homem me desprezar. Eles não gostam de serem amados, acham coisa de mulher/bicha/inferior. E porque gostam de exercer poder (sua otoridade) nos outros: sentem prazer em ver a outra pessoa se arrastando e se humilhando por ele! Ô nojo!

Hoje tenho a convicção que, mesmo que um outro homem me dê uma chance (Ha ha! Duvido muito!), não faria sexo oral, mesmo que me suplicasse. Não quero ser humilhado de novo, muito menos receber punhalada nas costas de ingratidão!

Sei que isso é um pensamento muito perigoso, a negação de amar, diante de tempos de moda direitista, de aversão à afetividade. Mas homens não merecem ser amados. Pessoas estão sendo menos pessoas. As pessoas não são o que nós queremos que sejam.

Chega a ser controverso numa sociedade como a brasileira, o masculinismo (homens lutando pela neo-misoginia), o ódio contra o feminismo em alta e a neo-relativização do estupro evoluíndo para uma cultura do estupro, e ao mesmo tempo homens exigindo sexo oral em unanimidade. Esses homens merecem tamanha carícia? Esses homens se olham no espelho?

A sociedade e as pessoas precisam mudar, mas elas precisam ter coragem pra mudarem de fato.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Qual é o sentido da minha vida hoje?

Fui surpreendido com uma questão de ensino religioso. Surpreendido porque eu não queria admitir pra mim mesmo viver tamanho pesadelo, mas já é reflexão sobre minha vida.

Apesar de ser ensino religioso, não deixa de ser uma reflexão que, caso os brasileiros tivessem, não seríamos uma nação de zumbis passivos: Qual é o sentido da vida?

Há 17 anos atrás eu responderia feliz a essa pergunta, enquanto que a reação dos demais brasileiros provavelmente (e até hoje) seria:

a) Nossa, eu nem imaginava que na vida existia um sentido!
b) Ai, não quero pensar nisso!

A população brasileiro não tem sentido de vida própria. Segue o que a sociedade, a família ou a televisão impuser. O sentido da vida do homem brasileiro é o status social e a satisfação sexual. O primeiro tornou-se mais importante que o outro, pois aquele que puder se encaixar como heterossexual se acomodará na satisfação sexual pra ganhar aprovação social, mesmo que sinta atração também por homens (bissexualidade) ou por pessoas trans (transafetividade).

Um dos maiores sentidos da minha vida era as pessoas. A existência das outras pessoas dá o colorido da vida. Assim eu já pensava deste que me entendo como gente. Um dos meus maiores objetivo era conhecer muitos homens incríveis, namorar, me casar. Depois isso virou o maior dos objetivos, pela extrema dificuldade que é conseguir isso, e hoje reconheço que conseguir isso é impossível.

Mas o brasileiro não pensa assim, o brasileiro não age dessa forma! O brasileiro vê a outra pessoa como um rival a ser vencido, ou como uma escada um pra sugar um favor ou conseguir um objetivo. Daí porquê homens heteros brasileiros vêem as mulheres como objetos ou cervas pra conseguir satisfação sexual, ou até mesmo pra ter serviços domésticos de graça. Eles não as vêem como uma companhia de vida!

Eu assim pensava que eram as pessoas quando criança, me baseando no meu irmão e em pessoas da televisão; mas depois a realidade foi batendo a porta, depois de conhecer como são as pessoas na vida real, e descobri que pessoas não são pessoas (diferente do que uma psicóloga afirma), e sim sociopatas dente-de-leite.

Pessoas são esteriotipadoras: adoram tratar as outras em esteriótipos, caricaturizadas e exoticadas.

Pessoas adoram rotular as diferenças em vez de lidar com elas. E depois que rotulam, querem deixar visíveis apenas um lado e marginalizar o outro.

O sentido da minha vida era as pessoas. Mas quando descobri que as pessoas não eram aquilo que eu pensava que fosse, daí o sentido da minha vida se perdeu.

Daí aos 28 anos chego estupefato que, mesmo tendo um sentido de vida prematuramente, não impediu que eu chegasse aos 28 com um vazio, um vácuo na vida!

Porque imaginei que as pessoas eram uma coisa boa e descubro que são intragáveis!

Principalmente os homens, imaginei que fossem as pessoas mais incríveis e descubro que são as pessoas mais nojentas!

Simplesmente eu sonhei com uma coisa que simplesmente não existe na vida real.

Simplesmente não há um sentido na vida de um homem trans gay no Brasil, pois os homens brasileiros odeiam homens trans, odeiam vagina, só aturam uma por status social.

Daí qual é o sentido da minha vida?

Minha vida não tem sentido!

Não existe sentido pra vida de um homem trans gay no Brasil.

E o que fazer agora?

Como vou preencher o vácuo que ficou? Tentar preencher com outra coisa é inútil!

Agora minha vida é um vácuo. E deste 2012 vou envelhecendo com esse vaziu, e daqui a mais uns anos chego aos 30 anos sem um sentido de vida!