Fui surpreendido com uma questão de ensino religioso. Surpreendido porque eu não queria admitir pra mim mesmo viver tamanho pesadelo, mas já é reflexão sobre minha vida.
Apesar de ser ensino religioso, não deixa de ser uma reflexão que, caso os brasileiros tivessem, não seríamos uma nação de zumbis passivos: Qual é o sentido da vida?
Há 17 anos atrás eu responderia feliz a essa pergunta, enquanto que a reação dos demais brasileiros provavelmente (e até hoje) seria:
a) Nossa, eu nem imaginava que na vida existia um sentido!
b) Ai, não quero pensar nisso!
A população brasileiro não tem sentido de vida própria. Segue o que a sociedade, a família ou a televisão impuser. O sentido da vida do homem brasileiro é o status social e a satisfação sexual. O primeiro tornou-se mais importante que o outro, pois aquele que puder se encaixar como heterossexual se acomodará na satisfação sexual pra ganhar aprovação social, mesmo que sinta atração também por homens (bissexualidade) ou por pessoas trans (transafetividade).
Um dos maiores sentidos da minha vida era as pessoas. A existência das outras pessoas dá o colorido da vida. Assim eu já pensava deste que me entendo como gente. Um dos meus maiores objetivo era conhecer muitos homens incríveis, namorar, me casar. Depois isso virou o maior dos objetivos, pela extrema dificuldade que é conseguir isso, e hoje reconheço que conseguir isso é impossível.
Mas o brasileiro não pensa assim, o brasileiro não age dessa forma! O brasileiro vê a outra pessoa como um rival a ser vencido, ou como uma escada um pra sugar um favor ou conseguir um objetivo. Daí porquê homens heteros brasileiros vêem as mulheres como objetos ou cervas pra conseguir satisfação sexual, ou até mesmo pra ter serviços domésticos de graça. Eles não as vêem como uma companhia de vida!
Eu assim pensava que eram as pessoas quando criança, me baseando no meu irmão e em pessoas da televisão; mas depois a realidade foi batendo a porta, depois de conhecer como são as pessoas na vida real, e descobri que pessoas não são pessoas (diferente do que uma psicóloga afirma), e sim sociopatas dente-de-leite.
Pessoas são esteriotipadoras: adoram tratar as outras em esteriótipos, caricaturizadas e exoticadas.
Pessoas adoram rotular as diferenças em vez de lidar com elas. E depois que rotulam, querem deixar visíveis apenas um lado e marginalizar o outro.
O sentido da minha vida era as pessoas. Mas quando descobri que as pessoas não eram aquilo que eu pensava que fosse, daí o sentido da minha vida se perdeu.
Daí aos 28 anos chego estupefato que, mesmo tendo um sentido de vida prematuramente, não impediu que eu chegasse aos 28 com um vazio, um vácuo na vida!
Porque imaginei que as pessoas eram uma coisa boa e descubro que são intragáveis!
Principalmente os homens, imaginei que fossem as pessoas mais incríveis e descubro que são as pessoas mais nojentas!
Simplesmente eu sonhei com uma coisa que simplesmente não existe na vida real.
Simplesmente não há um sentido na vida de um homem trans gay no Brasil, pois os homens brasileiros odeiam homens trans, odeiam vagina, só aturam uma por status social.
Daí qual é o sentido da minha vida?
Minha vida não tem sentido!
Não existe sentido pra vida de um homem trans gay no Brasil.
E o que fazer agora?
Como vou preencher o vácuo que ficou? Tentar preencher com outra coisa é inútil!
Agora minha vida é um vácuo. E deste 2012 vou envelhecendo com esse vaziu, e daqui a mais uns anos chego aos 30 anos sem um sentido de vida!
