quarta-feira, 6 de julho de 2016

O sexo oral num tempo de masculinismos

Foi um rapaz que esteve do meu lado, cujo cheiro dele era de sexo oral. Daí lembranças vieram. Lembranças de relações com o único homem que havia me dado uma chance, mas logo depois me desprezou.

Daí as mesmas lembranças me trouxeram arrependendimento, até mesmo nojo.

Não que eu tenha deixado de gostar do órgão genital masculino, e sim porque não considero o homem digno de tamanha carícia.

Principalmente hoje, nos atuais tempos em que os homens brasileiros confessam odiar vagina e o feminino, odiar mulheres e pessoas trans.

Assim como o sexo anal, o sexo oral é uma entrega muito grande. Mais que isso: parece quase uma declaração de amor à genital que se está acariciando!

Daí que essa genital é do mesmo indivíduo que odeia mulheres e pessoas trans. Lembrando que os brasileiros são muito iguais uns aos outros, e entre os homens é quase uma regra sem excessão!

Isso inclusive deve ser origem de muita arrogância nos homens, que exigem demais sexo oral e não querem fazer a recíproca de dar amor a(o) parceira(o) em troca. Daí o homem fica moleque mimado, e acredita que pode ser machista e misógino que ainda por cima será recompensado com um bom sexo oral!

Igual às gerações passadas de homens que não se importaram em tripudiar mulheres, pois depois poderiam se satisfazer com prostitutas.

Hoje me arrependo de ter feito o que fiz. Acredito que foi por causa de ter dado amor demais que fez o homem me desprezar. Eles não gostam de serem amados, acham coisa de mulher/bicha/inferior. E porque gostam de exercer poder (sua otoridade) nos outros: sentem prazer em ver a outra pessoa se arrastando e se humilhando por ele! Ô nojo!

Hoje tenho a convicção que, mesmo que um outro homem me dê uma chance (Ha ha! Duvido muito!), não faria sexo oral, mesmo que me suplicasse. Não quero ser humilhado de novo, muito menos receber punhalada nas costas de ingratidão!

Sei que isso é um pensamento muito perigoso, a negação de amar, diante de tempos de moda direitista, de aversão à afetividade. Mas homens não merecem ser amados. Pessoas estão sendo menos pessoas. As pessoas não são o que nós queremos que sejam.

Chega a ser controverso numa sociedade como a brasileira, o masculinismo (homens lutando pela neo-misoginia), o ódio contra o feminismo em alta e a neo-relativização do estupro evoluíndo para uma cultura do estupro, e ao mesmo tempo homens exigindo sexo oral em unanimidade. Esses homens merecem tamanha carícia? Esses homens se olham no espelho?

A sociedade e as pessoas precisam mudar, mas elas precisam ter coragem pra mudarem de fato.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Qual é o sentido da minha vida hoje?

Fui surpreendido com uma questão de ensino religioso. Surpreendido porque eu não queria admitir pra mim mesmo viver tamanho pesadelo, mas já é reflexão sobre minha vida.

Apesar de ser ensino religioso, não deixa de ser uma reflexão que, caso os brasileiros tivessem, não seríamos uma nação de zumbis passivos: Qual é o sentido da vida?

Há 17 anos atrás eu responderia feliz a essa pergunta, enquanto que a reação dos demais brasileiros provavelmente (e até hoje) seria:

a) Nossa, eu nem imaginava que na vida existia um sentido!
b) Ai, não quero pensar nisso!

A população brasileiro não tem sentido de vida própria. Segue o que a sociedade, a família ou a televisão impuser. O sentido da vida do homem brasileiro é o status social e a satisfação sexual. O primeiro tornou-se mais importante que o outro, pois aquele que puder se encaixar como heterossexual se acomodará na satisfação sexual pra ganhar aprovação social, mesmo que sinta atração também por homens (bissexualidade) ou por pessoas trans (transafetividade).

Um dos maiores sentidos da minha vida era as pessoas. A existência das outras pessoas dá o colorido da vida. Assim eu já pensava deste que me entendo como gente. Um dos meus maiores objetivo era conhecer muitos homens incríveis, namorar, me casar. Depois isso virou o maior dos objetivos, pela extrema dificuldade que é conseguir isso, e hoje reconheço que conseguir isso é impossível.

Mas o brasileiro não pensa assim, o brasileiro não age dessa forma! O brasileiro vê a outra pessoa como um rival a ser vencido, ou como uma escada um pra sugar um favor ou conseguir um objetivo. Daí porquê homens heteros brasileiros vêem as mulheres como objetos ou cervas pra conseguir satisfação sexual, ou até mesmo pra ter serviços domésticos de graça. Eles não as vêem como uma companhia de vida!

Eu assim pensava que eram as pessoas quando criança, me baseando no meu irmão e em pessoas da televisão; mas depois a realidade foi batendo a porta, depois de conhecer como são as pessoas na vida real, e descobri que pessoas não são pessoas (diferente do que uma psicóloga afirma), e sim sociopatas dente-de-leite.

Pessoas são esteriotipadoras: adoram tratar as outras em esteriótipos, caricaturizadas e exoticadas.

Pessoas adoram rotular as diferenças em vez de lidar com elas. E depois que rotulam, querem deixar visíveis apenas um lado e marginalizar o outro.

O sentido da minha vida era as pessoas. Mas quando descobri que as pessoas não eram aquilo que eu pensava que fosse, daí o sentido da minha vida se perdeu.

Daí aos 28 anos chego estupefato que, mesmo tendo um sentido de vida prematuramente, não impediu que eu chegasse aos 28 com um vazio, um vácuo na vida!

Porque imaginei que as pessoas eram uma coisa boa e descubro que são intragáveis!

Principalmente os homens, imaginei que fossem as pessoas mais incríveis e descubro que são as pessoas mais nojentas!

Simplesmente eu sonhei com uma coisa que simplesmente não existe na vida real.

Simplesmente não há um sentido na vida de um homem trans gay no Brasil, pois os homens brasileiros odeiam homens trans, odeiam vagina, só aturam uma por status social.

Daí qual é o sentido da minha vida?

Minha vida não tem sentido!

Não existe sentido pra vida de um homem trans gay no Brasil.

E o que fazer agora?

Como vou preencher o vácuo que ficou? Tentar preencher com outra coisa é inútil!

Agora minha vida é um vácuo. E deste 2012 vou envelhecendo com esse vaziu, e daqui a mais uns anos chego aos 30 anos sem um sentido de vida!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

É preciso falar de estupro contra homens trans.

Quando se fala sobre estupro, a primeira vítima e talvez a única vítima que vem à cabeça é a mulher cisgênera, ou seja, a mulher que se reconhece como mulher. Só que não é só a mulher cis que tem a tal vagina e que sofre com a ameaça de estupro. Homens trans também possuem vagina, e são tão ameaçados de estupro quanto uma mulher cis!

O problema de se falar em homem trans no Brasil é que aqui eles ainda vistos como lésbicas. Uma das culpas está na televisão que os trata como se fossem super-lésbicas, enquanto que a lésbica só é uma mulher homossexual. A lésbica ainda se vê como mulher, e gosta de seu corpo biologicamente feminino. Enquanto que o homem trans não se vê como mulher e sim como homem, e rejeita o seu corpo biologicamente feminino.

A segunda culpa dessa confusão está no próprio movimento de lésbicas, que não sabem lidar com realidade de ``mulheres que querem ser homens´´(aspas altamente necessárias). Muitas acham que homens trans seriam na verdade ``lésbicas confusas´´ ou que seriam mulheres alienadas a se odiarem por causa do machismo que desqualifica o corpo feminino. Se esquecem que se isso fosse verdade, não existiria mulheres trans. Se esquecem que quem se identifica com o mundo feminino não vai querer sair dele, por mais que aja alienação contra. E o mundo dos homens trans é um mundo masculino. A alienação de desqualificação do corpo feminino só irá fazer o homem trans se descobrir mais depressa.

Quanto ao argumento de lésbicas confusas, isso é desqualificar as pessoas trans como incertas de si mesmas, como se fossem pessoas desprovidas de razão e consciência, ou de incapacidade de terem certeza do que querem. Em outras palavras, argumentar que homens trans seriam lésbicas confusas faz parte da patologização psicológica que a categoria trans tanto sofre e tanto luta em derrubar!

Além disso, existe também a questão dos homens trans gays, que derruba o esteriótipo de lésbicas confusas em homens trans heteros; e homens trans gays não são tão ``raridade das raridades´´ quanto se pensa! Basta procurar por homens trans organizados politicamente pra ver a quantidade de homens trans que se declaram gays, bissexuais ou até mesmo pansexuais!

O fato de homens trans serem confundidos com lésbicas já os faz também vítimas de ameaça de lesbofobia, e uma prática de lesbofobia é o chamado ``estupro corretivo´´, baseado que a mulher seria lésbica por falta de pênis. O que logicamente um estupro corretivo não iria jamais resolver, pois se a mulher detesta pênis, introduzir nela um pênis à força não irá fazê-la passar a gostar, e sim detestar mais ainda!

Homens trans também sofrem ameaça de estupro corretivo por homens cis acreditarem que aquela pessoa não quer ser mulher por falta de macho na sua vida. Um pensamento que já nasce equivocado pois mistura identidade de gênero com orientação sexual. Pior é quando se deparam com um homem trans gay: em vez de perceberem que não tem nada a ver com ``falta de macho´´, a teimosia é pior ainda, pois vêem o homem trans gay como ``perto de convencê-lo a gostar de ser mulher´´.

Sou homem trans gay e já sofri inúmeras ameaças e tentativas de estupro. Nunca fui estuprado, embora já sofri uma tentativa de ``sexo corretivo´´ sem saber e só percebi quando um outro homem trans percebeu isso. O único homem no qual me deitei parecia gostar de mim, foi tudo maravilhoso e tal. Só que depois da relação, ele mudou completamente, e passou a repetir que nunca ficaria comigo por eu não ser feminino. Ou seja, ele só teve relação comigo porque ele acreditou que depois do sexo eu iria me feminizar, jogar as roupas masculinas fora e até usar batom. Como isso não aconteceu, a reação dele foi me desprezar imediatamente. Eu posso não ter sofrido violência nenhuma, mas fui enganado e usado por um homem por causa de crença machista, e se eu soubesse disso, nunca teria transado com aquele homem! (Ou teria... e depois quebrado a cara dele de porrada, que é o que um homem como ele faria!)

Tem homem trans que esconde a questão do estupro contra si, acha que confessar que homem trans também é ameaçada de estupro vaginal os fará menos homens. Não, não faz. O problema é que há homens trans reproduzindo em suas mentes o mesmo pensamento dos homens cis, que é o pensamento machista. Não é demérito nenhum confessar que somos machos de vagina! Da mesma forma que mulheres trans são mulheres de peito e pinto e não deixam de serem feminíssimas, homens trans também são deixam de serem machos por causa da vagina!

O mais interessante é que o homem cis brasileiro, por ser tão narcisista, em teoria não deveriam odiar homens trans. Afinal, são um igual à eles, gostam das mesmas coisas, ambos vivem em mundos masculinos. E se o homem trans for gay, ele pode ser um companheiro pra transar e conversar sobre futebol ao mesmo tempo (e homem cis reclama tanto que mulher não gosta nem entende de futebol...). O problema é que o machismo fala mais alto, o ódio contra vagina fala mais alto. O machismo e a misoginia olham e tratam homens trans como um relez buraco a ser penetrado. Não importa pro homem cis se ele pode ter um companheiro pra transar e conversar sobre futebol: o maldito do status social é maior que tudo!

Um tratamento peculiar (e nojento) que homens cis dão pra homens trans: Homens cis vêem homens trans como mulher sem feminidade. O homem hetero brasileiro só vê valor na mulher cis se a mesma for feminina e ter corpão de ``gostosona´´, daí ela tem ``valor´´ que é dar status social de macho-alfa pro homem que a tiver como namorada/esposa. Como homem trans é uma vagina sem feminidade, logo não tem valor pra dar status social pra homem cis nenhum. Daí seriam vaginas sem valor, cujo única coisa que serve pros homens heteros (pra eles o sentido da existência da vagina é de servir à vontade deles!) é o prazer sexual. Logo na racionalidade cruel do machismo e da misoginia, homem trans só é digno de estupro por parte dos homens cis, e que homem trans recebendo amor de homem cis é considerada uma abominação!

Porque estou dizendo isso? Porque eu como homem trans já percebi durante a vida vários homens gostando de mim. Uns inclusive sabendo que sou homem trans. Mas nenhum foi corajoso pra confessar alguma coisa e por isso sou solitário até hoje. No entanto, já sofri ameaças de estupro na cara-de-pau e nenhum se sentiu envergonhado em confessar que estupraria um homem trans! Já houve vagabundo rondando minha casa e comentando em ``pegar aquela machuda´´. Ou seja, homens cis sentem vergonha de sentir amor por um homem trans, mas os mesmos não sentem vergonha em estuprar o mesmo homem trans! O lógico que deveria encher homens cis de vergonha é o estupro, mas o machismo e a misoginia faz causam essa inversão de valores, tudo por causa desse sistema de valores nojento que o machismo e a misoginia criaram em relação à vagina.

Homens cis vêem homens trans como uma afronta, do tipo ``como ousa uma vagina (querer) ser tão macho quanto eu?´´.

Por isso que quando falo de machismo e misoginia é contra vaginas em geral, que ``homens odeiam vaginas´´ invés de ``homens odeiam mulheres´´, é porque estou inserindo tanto mulheres cis quanto homens trans. Sou homem trans, sou também vítima de machismo e misoginia, e não posso ocultar a minha própria causa do discurso. E se eu não inserir essa pauta no discurso, quem mais vai? Uma coisa que acho erro é o próprio feminismo excluir homens trans do debate feminista, por causa da nossa alto-afirmação masculina. Se esquecem que ainda somos trans, cassete! Melhor: nós sentimos o machismo e a misoginia na pele, sabemos como é uma bosta, e isso nos faz homens feministas (ou homens com vergonha na cara, como eu gosto de dizer), e homem feminista é um soco no saco de qualquer homem mascu! Mas também não sei se a não-inserção seria da vontade dos próprios demais homens trans ou um excesso de preocupação das feministas em não parecerem querer se meter na pauta dos homens trans.

Lembrando que mulheres trans também sofrem ameaça de estupro por causa de suas identidades femininas.

domingo, 5 de junho de 2016

Estupro no Brasil não saiu de 1999!

O assunto ainda é periclitante. Não importa se o assunto está meio atrasado. É preciso falar sobre isso!

Houve o estupro coletivo de trinta homens contra uma mulher menor de idade. Não foram três, nem dez, foram TRINTA! Trinta estupradores! Trinta homens estupradores!

Uma quantidade de estupradores alta e concentrada, alguma coisa está, e muito, estranha e errada! A reação (minha) foi choque psicológico... e choque de realidade, com álgum que, confesso eu, acreditava ser álgum superado, que é a teoria do homem estuprador em potencial.

Em 1999, quando descobri a existência do estupro (descobri que estupro existia, mas até hoje nunca fui estuprado), uma fobia de homem nasceu, e minha atração sexual por homens foi prejudicada. Passei anos da minha vida vivendo como uma pessoa assexual. Não saia de casa com medo de um homem me atacar. Mesmo apaixonado por alguém e desejando sexo, o medo do homem se transformar na cama e fazer o que não quero era maior.

Com o passar dos anos, eu imaginava que, principalmente, a essa altura do campeonato / ano de 2016, que o estupro já estaria suficientemente com força política baixa, que não seria mais possível um estupro coletivo, muito menos seria possível a reunião de trinta marmanjos pra estuprar uma única mulher, que caso acontecesse haveria uma revolta social de proporções gigantescas.

Mas a realidade bateu na porta.

Eu mesmo tentei rever a teoria do homem estuprador em potencial, mas ao mesmo tempo eu sabia que o tempo pode ter passado, mas os homens brasileiros não mudaram nada, continuam exatamente iguais de quando eu descobri a existência do estupro.

Mas não falo só do estupro coletivo.

Uma coisa é tanta quantidade de machos estupradores dispostos a estuprar. Outra é a sociedade masculina justificar e até apoiar o estupro!

Ou atacar o combate o estupro, que é o feminismo.

Se esperaria de a sociedade brasileira dita menos medieval condenasse o estupro, que todo mundo condenasse a cultura do estupro...

Mas o que aconteceu foi principalmente no Facebook, rede social que virou nicho do direitismo, homens condenando e denegrindo o feminismo, homens condenando textos criticando cultura do estupro.

Homens que ficaram com raiva de avatar contra cultura do estupro, em vez de ficarem com raiva dos trinta estupradores!

Homens que não queriam que se fizesse textão denunciando cultura do estupro, mas acharam tudo bem publicar textão contra feminismo.

Ou seja, os homens não estavam nem aí pro estupro coletivo, eles estavam mais preocupados em tirar o cu de reta, eles estavam mais preocupados com o debate sobre a cultura do estupro que estava prestes a acontecer. A impressão era (é) que eles não queriam (e não querem) que a cultura do estupro seja debatida; que eles queriam (e querem) que a cultura do estupro nunca desapareça!

Pior foi presenciar homens justificando do estupro! E não era só um e outro. A sensação foi/é de quase uma unanimidade dentre os homens! Uma sensação de terror ao ver os piores medos de 1999 se concretizarem em pleno 2016, de homens justificando estupro porque a vítima não estava em casa lavando a louça - que quem tiver vaginas que se isole dentro de casa! Porque a vítima mesmo menor de idade já teria tido filho -  que quem tiver vagina não pode fazer sexo cedo. Ou porque a vítima teria praticado orgia - que quem tiver vagina teria a obrigação de aceitar (tudo) que o(s) parceiro(s) imporem na hora do sexo!

Notem que nesses contextos os homens colocaram como se o estupro sofrido fosse uma punição naturalmente vinda, e punição por dois motivos absurdos, como se fosse proibido ou mal ter filhos cedos ou fazer orgia. Daí depois teve homem que inventou motivos piores - inventaram que a mulher não levava o filho à escola - pra tentar fazer colar melhor, pra tentar fazer mais aceitável a idéia de um estupro como palmada corretiva pra educar mulheres - só mulheres! Na cabeça dos homens brasileiros, àlgum tão cruel como humilhação sexual é educativo, e quando se cria pretextos pra ele, ele deixa de ser abominável pra virar aceitável! E detalhe: não há essa mesma idéia de estupro corretivo pra homens!

Diante de tudo isso me senti de volta em 1999, quando eu pensava que eu tinha que me salvar dos homens me isolando em casa, me abster sexualmente e deixar de viver uma vida plena que homens vivem. Só que diferente de antigamente, agora os homens, por meio de redes sociais, é quem afirmam isso, praticamente confessam que são mesmo uma ameaça e que quem tiver vagina que se afastem deles pra se salvarem, pois caso sofram estupro, eles não vão admitir que o problema é com eles, nem que eles é quem não devem estuprar! Parece que os homens gostam de serem temidos. Mas ao mesmo tempo, não gostam de ouvir isso. Tipo ``sou mau sim mas não diga isso na minha cara´´?

A impressão que dá é que esses homens fazem isso porque no fundo queriam estar junto aos trinta estupradores. Lá no fundo, eles também queriam estuprar, só não têm coragem. E agora que o estupro coletivo aconteceu, os homens brasileiros ficaram entusiasmados com a possibilidade de poderem estuprar em coletivo sem isso causar uma grande revolta social, pois pra isso bastaria uma enxurrada de comentários no Facebook. E depois choram lágrimas de crocodilo se chamados de estupradores em potencial.

Daí depois esses mesmos homens não querem ouvir que eles são todos iguais, que são estupradores em potencial, que são psicopatas, etc. São machistas, misóginos e psicopatas, e pra eles tudo bem serem machistas e misóginos, e até mesmo psicopatas, só não querem ser criticados por isso. Pelo contrário, querem ser amados por isso! A impressão que dá é que eles querem que as pessoas com vagina gostem de serem odiadas e sacaneadas por eles. Sinto muito, masoquismo não é unanimidade!

Daí perante tudo isso, como eu, um homem trans, vai conseguir encontrar um marido? Eu que sou homem trans, tenho vagina, tenho medo de estupro. Como vou conseguir até mesmo me apaixonar depois de presenciar homens que odeiam vaginas, odeiam feminismo, justificam estupro, botam culpa na vítima, que no final das contas cagam e andam pelas vítimas, dando a impressão que no fundo queriam também estuprar coletivamente? Como ir pra cama com alguém que acha que pode fazer o que quiser entre quatro paredes e que se eu fui é porque assumi o risco?

Agora me sinto de volta em 1999, quando descobri a existência do estupro e passei a temer todos os homens. Agora todo aquele medo voltou, e minha atração sexual por homens indo ladeira abaixo, risco de viver como um assexual pela segunda vez na minha vida. Tudo porque os homens brasileiros insistem em manter-se parados no tempo e serem os mesmos de 1999 em pleno 2016!